Ex-aliado de Dilma no PMDB, ministro diz 'trabalhar pelo sucesso' de
Temer
POR WALDIR JUNIOR DE SALVADOR/BA
FONTE: BBC BRASIL EM
LONDRES
Leonardo Picciani
minimizou preocupação de atletas com o vírus Zika durante Olimpíada
Líder do PMDB na
Câmara na época em que os deputados decidiram dar aval ao início da tramitação
no Senado, ele seguiu a determinação do partido e orientou sua bancada a votar
contra a petista. Ao subir à tribuna, porém, manifestou-se contra o processo.
"Tenho profundo
respeito pela presidente Dilma Rousseff. Votei contra o impeachment porque,
como advogado, não considerei que havia fundamento jurídico", disse ele à
BBC Brasil nesta segunda-feira, após almoço na residência oficial do embaixador
brasileiro em Londres.
"Meu objetivo
agora é trabalhar pelo sucesso do presidente Temer", acrescentou.
A capital britânica
foi a primeira parada da viagem oficial do ministro ao exterior. No roteiro,
estão ainda Nova York e Washington, nos Estados Unidos.
'A situação mudou'
Questionado sobre
permanecer "aliado" de Dilma, Picciani afirmou que "a situação
mudou". Ele disse ainda não acreditar que a petista venha a ser
reconduzida ao cargo ao fim do julgamento no Senado.
"Tentei ajudar
a presidente o quanto pude. Mas a situação mudou. Temos um novo governo
agora."
O ministro também
falou sobre o convite feito ao ex-deputado estadual mineiro Gustavo Perrella
para ocupar o posto de secretário Nacional de Futebol e de Defesa dos Direitos
do Torcedor.
Pouco depois de ser
escolhido por Temer para a pasta, Picciani havia afirmado que não nomearia
integrantes da chamada "bancada da bola".
O pai do novo
secretário, o senador Zezé Perrella, é ex-dirigente do Cruzeiro. Ambos ganharam
destaque em novembro de 2013, quando a Polícia Federal apreendeu meia tonelada
de cocaína em um helicóptero pertencente à família em uma fazenda de Afonso
Cláudio (ES).
A Justiça entendeu
que a família Perrella não estava envolvida no caso.
"Foi uma
decisão profissional. Há poucas pessoas com as qualificações de Gustavo. Fiquei
impressionado com o trabalho dele ao reduzir a violência nos estádios",
elogiou Picciani. "Essa coisa da bancada da bola foi invenção da imprensa.
Não há bancada da bola."
O peemedebista
ressaltou sua decisão de manter "grande parte do quadro técnico" da
gestão anterior do ministério.
Zika
O ministro minimizou
as preocupações de parte da comunidade internacional sobre a realização dos
jogos em meio à epidemia de zika.
"Tenho a
convicção de que os atletas estarão seguros pelas providências que estão sendo
tomadas pelas nossas autoridades de saúde, seguindo as orientações da OMS
(Organização Mundial da Saúde). Todos os mecanismos de prevenção e de proteção
estarão garantidos", disse Picciani.
"É importante
lembrar que o Zika não é uma exclusividade do Brasil. A população brasileira
representa apenas 15% das pessoas expostas ao vírus", acrescentou.
Picciani lembrou
que, além das medidas de controle e prevenção tomadas pelo governo, o mês de
agosto, período de realização do evento, "tem historicamente menor
incidência" de casos.
"Tivemos 4 mil
casos em abril. Em maio, apenas 700. No ano passado, em agosto foram apenas 22
casos notificados. Esperamos zerar os registros", calculou.
"Diria a
qualquer atleta ou cidadão que pode vir com absoluta tranquilidade porque o Rio
de Janeiro e o Brasil se preparam para esse momento", acrescentou.
No fim do mês
passado, um grupo formado por mais de 200 cientistas internacionais enviou uma
carta aberta à OMS pedindo que o evento seja transferido ou adiado em
decorrência do surto da doença.
A organização, que
recentemente classificou o vírus como uma emergência global de saúde pública,
comentou a carta.
Segundo nota enviada
pelo órgão, baseado nas informações atuais, "cancelar ou mudar o local da
Olimpíada de 2016 não irá alterar significativamente a propagação internacional
do vírus Zika".
Crise política e
Paralimpíada
Picciani afirmou que
a mudança de governo não impacta negativamente a realização dos jogos.
Ele citou uma
pesquisa recente conduzida pelo Ministério dos Esportes, segundo a qual 66% da
população apoia a realização dos jogos, enquanto 78,7% declaram acreditar que a
mudança de governo não prejudicará a Olimpíada.
"Tivemos a
mudança de governo por uma circunstância política do país. O Brasil está
solucionando a crise política dentro da institucionalidade, dentro do que prevê
a Constituição, dando uma demonstração de que as instituições no Brasil são
sólidas, capazes de resolver crises eventuais como a que vivemos",
afirmou.
"Creio que o
projeto olímpico que demandou sete anos de preparação foi absolutamente bem
feito, organizado e bem executado", acrescentou.
Questionado, por
outro lado, sobre o ritmo de venda dos ingressos dos Jogos Paralímpicos ─
apenas 30% foram vendidas até agora, Picciani disse não ter "dúvida"
de que o evento será um "sucesso absoluto".
"A Prefeitura
do Rio comprou um lote grande de ingressos para distribuir entre alunos da rede
pública e funcionários. Já o Ministério dos Esportes vai iniciar nos próximos
dias uma série de campanhas publicitárias, com atletas paralímpicos, para
encorajar a venda", assinalou.
"Há um traço
cultural do brasileiro de deixar tudo para a última hora. Mas acredito que
todos os ingressos serão vendidos", acrescentou.
Legado
Sobre o legado da
Olimpíada para a cidade do Rio, Picciani afirmou acreditar que os jogos vão
trazer "várias oportunidades".
"Haverá o
legado físico ─ como a revitalização da área portuária e a expansão do metrô.
Mas no âmbito nacional teremos a oportunidade de difundir o esporte ainda mais.
E em várias modalidades diferentes. Seja o esporte de alto rendimento, seja o
esporte como um fator de inclusão social, como um fator educacional",
afirmou.
Questionado pela
reportagem da BBC sobre promessas feitas e não materializadas ─ principalmente
nas áreas mais pobres da cidade, como a instalação da UPP (Unidade de Polícia
Pacificadora) no Complexo da Maré, conjunto de favelas na região norte da
cidade, Picciani disse que "todas as metas foram cumpridas".
"Houve um
grande avanço, mas ainda temos desafios pela frente, como a despoluição da baía
de Guanabara", concluiu.





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