Jarbas Passarinho é enterrado com honrarias
militares em Brasília
POR WALDIR JUNIOR DE SALVADOR/B
FONTE: ESTADÃO
Foi enterrado neste domingo, 5, no cemitério Campo da Esperança,
em Brasília, o general da reserva e ex-ministro Jarbas Passarinho. A cerimônia
rápida, marcada para as 16 horas, contou com honrarias militares, como execução
de marchas, tiros de fuzil e de canhão. Emocionados, parentes e autoridades
elogiaram a atuação política de Passarinho e o aplaudiram na despedida.
"Era um homem de ideias, preocupado com o Brasil",
afirmou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Velloso, que
participou da cerimônia. "Esteve sempre muito preocupado com o destino do
nosso povo", destacou. Velloso se lembra que conversou sobre a situação do
País na última conversa que teve com Passarinho. "Era seu assunto
preferido".
Passarinho tinha 96 anos e morreu em casa, em Brasília, em
decorrência de problemas causados pela idade avançada. Nascido em Xapuri, no
Acre, ele iniciou sua trajetória política no Pará, Estado que governou entre os
anos de 1964 a 1966. Também foi senador por três mandatos e atuou como ministro
nos governos militares e do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
O ex-ministro participou da articulação do golpe militar de 1964
e ficou famoso por uma frase proferida durante a reunião do Ato Institucional
5, que deu amplos poderes aos militares e endureceu o regime a partir de 1968,
empurrando o País para uma ditadura. "Às favas, senhor presidente, neste
momento, todos os escrúpulos de consciência", disse na época.
Para o senador Heráclito Forte (PSB-PI), o Brasil perdeu neste
domingo um dos homens mais importantes de sua história recente. "Ele
surgiu como um revolucionário, mas soube mudar de posição na hora certa e se
tornou um colaborador fantástico no processo de transição (com o período da
ditadura)", lembrou. Heráclito pontuou que, apesar de algumas divergência
política, o admirava. "Ele era um vocacionado".
"Fui senador, fui governador, fui ministro, mas sou
general", lembrava Passarinho à família. Pai de cinco filhos, 14 netos e
18 bisnetos, o ex-ministro era, até o fim da vida, muito próximo do Exército
Brasileiro, que o homenageou durante o enterro. "É um exemplo de
honestidade, dignidade, honra e obediência", declarou Carlos Passarinho,
um de seus filhos.
O presidente em exercício Michel Temer e o ministro da Casa
Civil, Eliseu Padilha, lamentaram morte de Passarinho pelas redes sociais.
"Quero expressar meus sentidos pêsames pela perda desse grande
brasileiro", disse Temer sua conta no Twitter. "Independentemente de
concordarmos ou não com suas posições, é uma grande perda", disse Padilha.


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